UMAS & OUTRAS - 24 de fevereiro de 2002
NESTE NÚMERO

SOMENTE POR PRAZER   Fi-lo porque qui-lo.
SALA DE LEITURA   Começa segunda-feira a versão 2002.
RECORDE    A Ratoeira.
A MÚSICA DE LUTO   Morre Livardo Alves.
MAIS LUTO...  ... e mais falta de respeito.
POR FALAR NISSO...   ... ainda estão me devendo.
COMO É O NOME DO FILME?    Boas risadas.
SEMANA DE 22    É preciso comemorar.
PIADAS MACHISTAS    ... e politicamente incorretas.
MOSSORÓ E A POESIA    Viva Eliseu Ventania!
OUTRO POETA   Viva João Bhala!
E MAIS OUTRO   E viva também Nei Leandro de Castro!
ACADEMIAPoema rápido de Clotilde Tavares.
O CONSUMIDOR E A TELEMAR    Talvez funcione.
A CULPA É DO MORDOMO   Uma historinha sexy...
AGORA É LEI   Acabou a famigerada caução.


SOMENTE POR PRAZER

Para quem pensa que é fácil manter um informativo semanal como este, sem patrocínio, sem remuneração, sem nenhum retorno financeiro, eu digo que não é.

Mas, mais do que o dinheiro, o retorno que me dá o leitor é o que me estimula e me faz continuar. A acolhida que dão a este Boletim é a remuneração da alma, do coração, do afeto. E eu faço esse tipo de coisa - boletins, aulas, cursos, peças de teatro, crônicas, artigos, livros, tudo que envolve comunicação - por um determinismo biológico, espiritual ou seja lá o que for. Faço porque é minha história, meu destino, minha lenda, minha cachaça, me dá prazer, e quando não faço fico doente.

Então, a quem interessar possa, não faço isso para ser porta-voz da comunidade, nem para criar um canal de expressão, ou coisa que o valha. Também não estou interessada em me aproveitar da época de política que se aproxima. Faço por que faço, e é só. Não me atribuam uma nobreza que não tenho, nem uma vileza que também não possuo.

Apenas, leiam, escrevam e comentem, desfrutem comigo desse maravilhoso meio de comunicação que é a Internet. É só.


SALA DE LEITURA

Nesta segunda-feira, dia 25 de fevereiro, a partir das 18h30, a livraria A.S. Book Shop estará retornando com o projeto SALA DE LEITURA na sua versão 2002.

O evento terá como convidado o escritor e poeta Nei Leandro de Castro, consagrado autor de “As pelejas de Ojuara” e  “Zona erógena”. 

SALA DE LEITURA é um encontro semanal de escritores, poetas, professores, críticos e demais profissionais ligados à literatura, que falam sobre livros para o público. 

Criei esse projeto e o coordeno desde o seu início em 5 de março de 2001. Durante todo o ano, desenvolveu-se sem interrupção todas as segundas-feiras até o dia 17 de dezembro, quando o projeto entrou de férias. 

Durante o ano de 2001, foram realizados 42 encontros, com uma platéia média de 20 pessoas por encontro. Foram mais de 100 horas falando sobre livros, e lá estiveram escritores, professores universitários, musicólogos, encenadores, poetas e pesquisadores que abordaram temas sempre ligados ao livro. 

Dentro da proposta da SALA DE LEITURA, não tratamos somente de Literatura, mas de livros em geral. Já tivemos convidados falando sobre livros de culinária, livros de arte, leitura na Internet, livros de teatro, livros de música…

Entre as pessoas que estiveram na SALA DE LEITURA citamos Diva Cunha, Tarcísio Gurgel, Aldo Lopes, Carlos de Souza, Jardelino Lucena, Vicente Vitoriano, Lenine Pinto, Manoel Onofre Jr., Gutemberg Costa, Geraldo Queiroz, Deífilo Gurgel, Leide Câmara, e dezenas de outros nomes.

Esperamos a presença de todos nesta segunda-feira.
RECORDE 

A peça teatral que está mais tempo em cartaz é The Mousetrap ("A Ratoeira"), uma dramatização de um livro de Agatha Christie. O espetáculo completou 49 anos de apresentações em Londres e continua firme.

A recordista em segundo lugar é The Fantasticks ("Os Fantásticos"), que recentemente encerrou suas exibições em Nova Iorque, EUA, após 17.162 espetáculos ao longo de 42 anos.


A MÚSICA DE LUTO

No dia 16/02 morreu na Paraíba Livardo Alves, compositor e poeta que, apesar de suas músicas terem sido gravadas por Zé Ramalho, Flávio José e outros nomes consagrados, viveu e se finou como um desconhecido. Morreu de câncer na próstata, aos 66 anos, uma morte triste e obscura para quem compôs entre tantos outros sucessos, uma música que é quase um hino da alegria e do Carnaval: a "Marcha da Cueca".

"Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca
Pra fazer pano de prato..."

Saudades.


MAIS LUTO

Leio na Lista Nação Tabajara que, segundo denúncia do jornalista Antonio Vicente, no Correio da Paraiba, o pessoal que organizou em João Pessoa a "Folia de Rua", contratou gente de todo canto, pagando cachê alto. Incluiram Livardo Alves na programação, anunciaram o nome dele, mas sem cachê. Livardo, se quisesse, cantaria de graça, ao contrário dos outros.

No Carnaval - período de acontecimento da Folia de Rua - Livardo, já com o câncer em estágio bastante avançado, precisava mais do que nunca, naquele momento, de dinheiro para comprar os remédios. 

Quando ele chegou lá, que viu que era para cantar de graça, se mandou. 

Agora, que morreu, essa mesma turma está querendo fazer média às custas de sua memória, promovendo homenagem, é o que diz a matéria. 

Isso me faz lembrar do poeta Blackout, aqui em Natal, proibido muitas vezes de entrar na Capitania, no Teatro, na Fundação José Augusto, por ser anárquico e louco. 

Quando morreu, quase foi enterrado como indigente. Aí, depois, foi um tal de homenagem de todos esses órgãos, os mesmos que o proibiam de entrar em seus salões. O jornalista Franklin Jorge botou a boca no mundo e, com muita justiça, denunciou a falsidade. 

De luto todos estamos, por Livardo Alves e porque somos obrigados a conviver com essa falta de respeito.


POR FALAR NISSO...

Ainda não recebi o que a Prefeitura me deve pelo Auto de Natal.

Também fui informada de que outras pessoas também não receberam, como Wilberto Amaral e Eduardo Pinheiro, do Megafone Studio, que fizeram toda a parte de técnica de som; o coreógrafo e bailarino Dimas Carlos; e sabe-se lá quem mais.

Mais luto pela falta de respeito com que se trata os artistas.


COMO É O NOME DO FILME?

Ana Maria Braga chamou a Hebe de perua. 
Qual é o nome do filme?
"Olha Quem Está Falando."

Um homem e uma mulher, ambos sem os dois braços, decidiram casar, e algum tempo depois tiveram um filho. 
Qual é o nome do filme?
"Ninguém segura este bebê."

Um casal de piolhos se amava muito e tiveram diversos filhotes. 
Qual é o nome do filme?
"Lêndeas da Paixão."


SEMANA DE 22

O jornalista Vicente Serejo, na sua coluna do Jornal de Hoje, critica o descaso das entidades locais – da Universidade, Governo e Prefeitura – para com os oitenta anos da Semana de Arte Moderna

Foi Vicente Serejo quem ficou à frente das comemorações dos setenta anos da mesma Semana aqui em Natal, em 1992. Hoje essas comemorações seriam mais ricas ainda porque já existe uma produção razoável em todas as áreas de material referente ao modernismo. É o próprio Vicente Serejo quem afirma:

"... Temos coisas boas. Os estudos acadêmicos de Humberto Hermenegildo e da professora Ilza Mathias. A biblioteca de Câmara Cascudo, com edições originais de modernistas, muitas delas autografadas. Sua correspondência com Mário de Andrade (já publicada) e as cartas ainda inéditas de Manuel Bandeira, Joaquim Inojosa, Raul Bopp, Carlos Drummond de Andrade e outros. O excelente estudo de Francisco das Chagas sobre o poeta Jorge Fernandes e o Majestic. 

Na área das artes plásticas temos o que mostrar, sim senhor. Se feita com profissionalismo, uma exposição mostraria: o Lula Cardoso Aires do acervo de Câmara Cascudo. O Embaixador Fernando Abbott Galvão tem dois óleos de Cícero Dias e também de Lula Cardoso Aires, além de outros e Elenir Fonseca tem um desenho de Portinari, além do acervo de Dorian Gray e de outros acervos particulares, inclusive os quadros de Erasmo Xavier, um pintor modernista dos anos vinte.

Como, então, pode ser um delírio da minha parte? E uma conferência de Neroaldo Azevedo, ex-reitor da Universidade Federal da Paraíba, considerado hoje o maior estudioso do Regionalismo nordestino? E o poeta e escritor Hildeberto Barbosa Filho, também professor da Universidade Federal da Paraíba e doutor em literatura brasileira? E os grandes gilbertianos como Edson Néri da Fonseca e Sebastião Vilanova, o sociólogo que domina a obra de Gilberto Freyre?"

E conclui, definitivo:

"...O que há mesmo é um misto de descaso com falta de grandeza. Somos marcados, em todos os níveis, ontem e hoje, por uma política cultural feita de eventos e, assim mesmo, fechada a grupos dali e daqui, num compadrio cultural marcado pelo colonialismo do prestígio pessoal e, algumas vezes, até da política partidária que fecha portas a uns e abre a outros, sem um critério isento. Aliás, achar que é delírio já é, por si só, uma prova disso tudo que acabei de afirmar."


PIADAS MACHISTAS

Se sua mulher pedir mais liberdade, compre uma corda mais comprida.

Mulher pequena é o ideal: dos males o menor!

Sabe quando a mulher vai conseguir conquistar um lugar ao sol?  Quando inventarem cozinha com teto solar.

Qual o feminino de "Deitadão no sofá, vendo televisão? Empezona na pia, lavando louça."

Por que a mulher não tem necessidade de aprender a dirigir? Porque da cama à cozinha não é preciso ir de carro.

Por que a Estátua da Liberdade é mulher? Porque precisavam da cabeca oca para o mirante.


MOSSORÓ E A POESIA

Mossoró se prepara para comemorar o Dia Nacional da Poesia, no próximo 14 de março, com uma grande programação cultural, que inclui recitais, visitas a escolas, saraus, palestras e outros, e vai do dia 13 ao dia 16 de março.

Um dos destaques é a inauguração da estátua do poeta Eliseu Ventania na Estação das Artes, que leva o seu nome.

Conheci o grande poeta. Tenho uma fita gravada onde ele improvisa versos para mim, em memorável noite de viola e muita cerveja, nos idos de 1976? 1977? em Currais Novos, RN. O poeta, já cego mas ainda amante das noitadas, era arrastado para a esbórnia por esta que vos tecla e outros loucos do mesmo quilate.

Bons tempos.


OUTRO POETA

O pai era cantador de viola, mas ele é revoltado, anarco-punk e rebelde cheio de causas.

Refiro-me ao poeta João Bhala, em quem aposto minhas fichas. Quando ele permite, eu tento patrociná-lo. É difícil, pois o elemento é radical e antipático. Mas eu gosto dele. 

Veja seus poemas em http://joaobhala.vila.bol.com.br


E AINDA MAIS OUTRO

Na última eleição para a Academia Norte-Riograndense de Letras, um dos candidatos foi o poeta e escritor Nei Leandro de Castro, para ocupar a vaga deixada pelo poeta Luís carlos Guimarães, falecido em maio de 2001.

Como ambos eram amigos, e o patrono da cadeira era Jorge Fernandes, sendo uma cadeira ocupada tradicionalmente por poetas, Nei foi praticamente convencido pelos amigos a aceitar a candidatura, mais como uma homenagem a Luís Carlos Guimarães. 

O caso é que Nei Leandro de Castro não é de cabalar votos, de fazer conchavos, leva-e-traz, e todas essas atividades nada literárias que envolvem uma candidatura na Academia. Não deu outra: não se elegeu.

Eu, por mim, achei foi bom e disse isso a ele: para mim, quando o camarada entra na Academia, e se intitula "imortal", desafia a morte, que não gosta de ser desafiada. Talvez o fato de não ter sido eleito seja uma garantia de que o nosso maravilhoso Nei Leandro, o nosso "Ojuara", fique muito mais tempo entre nós, nos encantando com suas pelejas.

Dedico a Nei Leandro de Castro o poema-rápido abaixo, que escrevi já tem um bocado de tempo.


ACADEMIA

Para Nei Leandro de Castro

Ente meus pares
sou ímpar:
uma, duas três e meia
e já.


O CONSUMIDOR E A TELEMAR

Recebi esta mensagem, e divulgo, porque acho que procede. Quem assina é um certo Edésio Portes, a data é 26-01-2002 e o título é "Como pressionar a Telemar em caso de defeito"

Quando  seu  telefone apresentar defeito, faça o seguinte:

1) Notifique imediatamente a empresa, ligando para o nº 103XXXX (onde XXXX são os quatro primeiros números de seu telefone). Solicite e anote o nº da reclamação;

2) Aguarde o prazo concedido para o reparo, normalmente de 24 a 48 horas;

3) Não sendo efetuado o conserto neste prazo, nem perca seu tempo ligando para a Telemar. Acione imediatamente a ANATEL,  através do número 0800-33-2001, e notifique a agência sobre o descumprimento do prazo dado pela Telemar. É necessário fornecer, além dos dados do assinante do telefone, o nº da reclamação fornecido pela Telemar, já citado no item 1;

4) Pronto! Seu telefone será consertado no mesmo dia!

O missivista sugere que "...o sistema da Anatel é integrado ao da Telemar on line, ou seja, a reclamação é enviada automaticamente. Parece que a politica da empresa é evitar problemas com a agência. De alguma forma, as reclamações de seus assinantes que chegam à Anatel incomodam mais do que aquelas que vagueiam no limbo da sua ineficiência. Provavelmente, há algum dispositivo legal ou normativo que implica prejuízos, pecuniários ou institucionais à Telemar, no caso de relamações à Anatel. Os casos não solucionados mas não comunicados à agência não devem fazer muita diferença, pois do contrário, as milhares de reclamações e processos judiciais contra a Telemar já teriam motivado pesadas multas ou até a revogação da concessão."


A CULPA É DO MORDOMO

Um casal ia passar a noite fora e resolveu dar a Jarbas, o mordomo, a noite de folga, avisando que provavelmente voltariam muito tarde. 

Na festa, como a mulher não estava se divertindo muito, resolveu voltar para casa mais cedo, sozinha. Ao entrar em casa, encontrou Jarbas, sozinho na sala de jantar. 

Ela o chamou, mandou que a acompanhasse e levou-o até o quarto do casal. Virou para ele e, usando um tom que ele sabia que deveria obedecer, disse:

- Jarbas, eu quero que você tire meu vestido.

Com as mãos trêmulas, ele tirou e colocou o vestido cuidadosamente sobre a cadeira.

- Jarbas - continuou ela - agora tire minhas meias e minha cinta-liga.

Mais uma vez Jarbas silenciosamente obedeceu.

- Agora, Jarbas, eu quero que você tire meu sutiã e minha calcinha.

Cada vez mais trêmulo, Jarbas obedeceu.

Ambos respiravam profundamente e a tensão entre os dois aumentava. 

Ela então olhou com severidade para ele e disse:

- Jarbas, se eu pegar você usando minha roupas novamente, está despedido.


AGORA É LEI

Foi publicado no Diário Oficial da União em 09/01/02 a Lei de nº 3.359 de 07/01/02 que menciona:

"Art.1º - Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internamento de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada."

"Art 2º - Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pelo internamento."

"Art 3º - Ficam os hospitais da rede privada obrigados a fixarem em local visível e dar possibilidade a presente Lei."

"Art 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação."

Então: acabou a famigerada caução. Mas se você estiver com alguém doente, precisando internar, e o hospital exigir a caução, e se for sábado ou domingo e você não tiver como acionar o PROCON, não discuta, para não prejudicar o doente. Dê um cheque cruzado, nominal ao hospital e peça recibo. Mesmo que você não tenha fundos, não se incomode, porque o hospital não vai poder mesmo descontar o cheque. Depois, com o recibo, vá ao PROCON.



A QUEM INTERESSAR POSSA

O Umas & Outras é um informativo mais ou menos semanal enviado para cerca de 800 assinantes, principalmente do Rio Grande do Norte e Paraíba, mas que atinge também pessoas em outras cidades e outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. 

Surgiu em novembro de 1999 e de lá para cá teve algumas  interrupções, motivadas sempre por aperto na agenda da professora Clotilde Tavares, escriba deste saltitante boletim. Por isso a sua periodicidade sofre eventuais atropelos, que consideramos inerentes a um periódico independente, gratuito e an árquico como este. 

Em agosto de 2000 o Umas & Outras deu origem ao site do mesmo nome, que começou sendo atualizado quase diariamente e que atualmente anda em processo de hibernação. Você pode vê-lo no endereço http://www.umaseoutras.com.br

Se não quiser receber mais o Boletim escreva, que lhe tiro da lista e a amizade continua a mesma.



Clotilde Tavares
Natal - RN
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