Umas & Outras

Arte, Cultura, Informação & Humor
  • rss
  • Início
  • Quem sou?

Os sete pecados capitais

Clotilde Tavares | 2 de janeiro de 2012

Hyeronimus Bosch e sua representação dos sete pecados capitais.

Eu nunca tinha lido A Divina Comédia. Já li A Ilíada, A Odisséia, e Os Lusíadas, mas A Divina Comédia nunca. Aí me acontece que por força do ofício e da amizade, aceitei a incumbência de ler um trabalho de um amigo meu justamente sobre A Divina Comédia, com o objetivo de ver se o tal trabalho estava legal, se atendia às normas acadêmicas, essas coisas. Prudentemente, resolvi ler antes a obra, para não incorrer em nenhuma aberração conceitual ou estética, comprometendo assim a minha fama de pessoa culta e bem informada.

Li e achei um barato, mas fiquei muito impressionada com o Inferno. Nunca pensei que tivesse tanto pecado diferente no mundo. Todos os meus terrores de criança interna em colégio de freiras voltaram e eu passei bem umas duas noites sem dormir. E comecei a pensar nessa história de pecado.

No internato, no colégio das freiras, aprendi que existem dois tipos de pecado: os veniais e os mortais. Os veniais são pecadinhos bestas, como estirar a língua quando a professora está de costas ou tomar a cocada da mão do irmão menor. Os pecados mortais não. Esses são perigosos. São aqueles que levam você diretinho para o Inferno, que nos meus pavores de criança era pior, muito pior do que o Inferno de Dante. Hoje não acredito mais em Inferno. Mas acredito nos pecados. Nos pecados mortais. Naqueles que a Igreja chamou de pecados capitais.

Para quem não se lembra mais, os Pecados Capitais são sete. Desses sete, quatro são aqueles que se cometem contra o Espírito e que prejudicam tanto quem os comete quanto a pessoa contra a qual são cometidos. São a Ira, a Cobiça, a Inveja e o Orgulho. E desses, meu filho, Deus me livre. São uns pecados tão feios, tão cabeludos que eu acho que deveria existir mesmo Inferno para trancafiar de vez lá dentro todo mundo que fizesse esse tipo de coisa.

Mas os outros três, ah, meu caro leitor, os outros três são os pecados mais geniais e mais gostosos do mundo. São os pecados que se comete contra o Corpo e, se ofendem alguém, ofendem somente quem os comete. Seu efeito maléfico não se estende a outras pessoas. São a Preguiça, a Gula e a Luxúria.

E eu vou fazer o quê, pobre pecadora que sou dos pecados do corpo? Como o gato Garfield, sou deliciosamente preguiçosa, refinadamente gulosa e gostosamente narcisista, sendo o narcisismo a forma mais elaborada de Luxúria que pode existir.

Fazer o quê? Penitência? Ato de contrição? Ou será que o Inferno me espera, o de Dante e o outro, com seus abismos de fogo e lava prontos para me devorar? O que vocês acham?

Comentários
1 Comentários »
Categorias
Comportamento, Cultura, Curiosidades
Tags
avareza, dante, divina comédia, gula, inveja, ira, luxúria, orgulho, pecado capital, pecados capitais, preguiça, soberba, vaidade
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Deixe de pantim!

Clotilde Tavares | 27 de dezembro de 2011

Um dia desses, discutia-se numa das listas que freqüento na Internet sobre o significado das palavras “pantim” e “muganga”. Bráulio Tavares escreveu sobre isso um dia desses no seu blog.

x

Papai e Mamãe

Eu passei minha infância ouvindo as duas palavras, incorporadas no rico dialeto caririzeiro-paraibano que Mamãe falava.

Pantim é difícil de definir. É quando você faz algo para “distrair o inimigo”, ou seja, quando negaceia, disfarça, enrola… Ou quando você falsifica uma ação para obter algo que não quer explicar diretamente. Já muganga é trejeito facial ou corporal, careta.

Voltando ao “pantim”, o diálogo abaixo, travado entre meus pais numa noite, explica melhor:

- Nilo, onde tu tava até uma hora dessa? – Mamãe, direta e nada sutil, atacava com a pergunta.

- Mas minha filha, é somente uma da manhã.

- Sim, mas onde tu tava?

- Você sabe Fulano? – começava papai. – Presidente da Associação Comercial? Pois eu encontrei com ele ontem…

- Não tou falando de ontem, mas de hoje. Onde é que tu tava?

- Espere, eu preciso lhe explicar. Você sabe que em Campina, desde que o prefeito mudou, que todos esses órgãos, como a Associação Comercial, a Federação das Indústrias, a…

Era aí que mamãe interrompia, já impaciente:

- “Ômi”, deixa de pantim e diz logo onde é que tu tava até uma hora dessa!

(…)

Postei esse diálogo na lista para exemplificar o que era o tal do pantim. Aí Leo Sodré, participante da lista, escreveu:

- Mas, onde Nilo estava mesmo? É bem capaz de ter levado Omega nessa farrinha…” (Omega era o avô de Leo, amigo de Papai).

Eu escrevi:

- Nilo devia estar com Omega no cabaré de Zefa Tributino, ou na Unidade Moreninha. Os dois assinavam ponto num ou noutro lugar toda noite.” (As referências são à vida noturna de Campina Grande na década de 1950/60)

Aí Bob Motta, que é poeta, escreveu:

Nilo tava c’á bixiga, (A)
e se sintindo no céu. (B)
Lhe juro, Crotilde, amiga, (A)
foi de beréu in beréu. (B)
Teve lá no Canaríin, (C)
dispôi saiu de finíin, (C)
mode qui num tava só; (X)
duis putêro de Campina, (D)
visitô os das Bunina, (D)
da Prata e Bodocongó… (X)

O poeta Bob Motta.

(Veja o esquema de rimas: o 1º verso rima com o 3º; — o 2º com o 4º; — o 5º com o 6º; — o 7º com o 10º; — e o 8º com o 9º. A estrofe é uma décima que comporta variados esquemas de rima, sendo este citado apenas um deles. A métrica é sete sílabas, redondilha maior, que você reproduz pronunciando em voz alta as palavras “ma-ra-cá, ma-ra-ca-tu”. Além disso, Bob Motta usa a chamada “linguagem matuta”, que consiste em um “português estropiado” – que não é usada nem pelo cantador de viola, nem pelo autor de folhetos de cordel e nem por mim, que procuramos usar sempre o português correto, mas é característica da chamada “poesia matuta”, cujo principal representante foi o poeta Catulo da Paixão Cearense. Forneço essa explicação para que as pessoas entendam como é complexa e rica a arte da poesia popular nordestina.)

Eu, que não deixo verso sem resposta, respondi seguindo o mesmo esquema, mas no calor do improviso deixei escapar a rima da terceira linha.

Nilo não tava sozinho
Na rota da sacanagem
Com o seu amigo Omega
Em total camaradagem
Lá em Zefa Tributino
Beberam uísque do fino
Com Paraguaíta e Nina
E com Chiquinha Dezoito
Pintaram o sete e o oito
Nos cabarés de Campina…

Bob Motta escreveu, repondendo:

Nilo tava de zonzêra,
lá na Ìndios Carirís,
bebeu quage a noite intêra,
no Canaríin, pidiu bis.
Na Unidade Moreninha,
lá nais Bunina intêrinha,
o peste num tava só;
tava prá lá de intêro,
foi in tudo qui é putêro,
da Prata e Bodocongó…

Aí eu fechei:

E quando chegou em casa
Mais pra lá do que pra cá,
Cleuza já tava na brasa
E começou o fuá:
Neguinho, conte direito!
Me conte de todo jeito,
Eu lhe peço mesmo assim!
Onde tu tava, maldito?
Tu acha isso bonito?
Ômi, deixe de pantim!


Este post é dedicado à pesquisadora Maria Alice Amorim, minha especial amiga, cujo trabalho sobre poesia popular está merecendo um post especial somente para ela, coisa que venho devendo há meses.


Comentários
Sem Comentários »
Categorias
Comportamento, Cultura, Curiosidades, Humor, Memória
Tags
Bob Motta, Braulio Tavares, Campina Grande, décima, Eldorado, Leo Sodré, muganga, Nilo Tavares, Omega, pantim, poesia popular, poesia popular nordestina, redondilha maior, Zefa Tributino
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Quatro histórias e um samba

Clotilde Tavares | 26 de dezembro de 2011

Pouco antes do Natal, a reportagem do Correio da Paraíba quis saber qual era a obra literária ou musical que eu gostava e que tivesse como tema o Natal. Lembrei logo do conto “O peru de Natal”, de Mário de Andrade, onde o autor desconstrói o sentimento natalino de amor e congraçamento, estabelecendo uma narrativa que parte exatamente do contrário; a vingança. Só que, na contramão do que se poderia esperar, as coisas vão se adoçando ao longo da história e esta se conclui deixando no leitor um sentimento de que, apesar de tudo, as coisas podem ser boas, e que a felicidade é possível.

Aí, eu comecei a me lembrar de outras narrativas sobre o Natal, das histórias engraçadas sobre presentes e pedidos ao Papai Noel – como o do garoto que pediu ao bom velhinho um ônibus de presente, para que a mãe, que precisava andar de ônibus e que sempre pegava o coletivo lotado, pudesse ter um ônibus só dela, para viajar com mais conforto.

Por tabela, e dessa vez sem ter nada a ver com o Natal, lembrei também da história do estudante, filho de milionário dos emirados árabes, estudando em universidade inglesa. O rapaz, acanhado de chegar todo dia na escola em luxuoso Rolls-Royce, falou desse incômodo ao pai, e referiu que todos os colegas iam para a escola de trem. O ricaço não vacilou e comprou um trem para levar o filho à aula.

Voltando ao Natal, há uma história muito meiga. O padre viu que uma garotinha entrava sorrateiramente na igreja e tirava a imagem do Menino Jesus do presépio. Lá fora, supreendeu a menina colocando a imagem da cestinha da bicicleta nova, e preparando-se para pedalar. “Onde pensa que vai?”, perguntou o padre. Ela respondeu: “Ah, padre, eu rezei muito para o Menino Jesus pedindo uma bicicleta de Natal, e prometi a ele que se ganhasse vinha buscá-lo para dar uma volta…”

Finalmente, nada melhor do que um dos meus sambas preferidos, “Véspera de Natal”, do grande Adoniran Barbosa, onde o poeta narra uma estranha e patética aventura.

“Véspera de Natal”, de Adoniran Barbosa

Comentários
Sem Comentários »
Categorias
Comportamento, Cultura, Curiosidades, Humor
Tags
Adoniran Barbosa, histórias de Natal, Mario de Andrade, O peru de Natal, Papai Noel, Véspera de Natal
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

A trama da renda

Clotilde Tavares | 25 de dezembro de 2011

Sempre gosto de, no final do ano, fazer um apanhado das coisas que realizei no período. Isso porque tenho às vezes a tendência de achar que o tempo está passando e eu não estou fazendo nada.

Este ano de 2011 foi muito produtivo e estou feliz com o que andei aprontando. Só pra você ter uma ideia:

Lancei dois livros novos: “O Verso e o briefing: a publicidade na literatura de cordel”, lançado em Natal (agosto) e Recife/Bienal de Pernambuco (setembro); e “Um herói do cotidiano: vida e advocacia de Leidson Farias”, lançado em Campina Grande, em dezembro.

Fiz palestras em eventos, escolas e universidades. Muitas.

Aprendi a ler sumariamente uma partitura musical e executá-la ao piano. Eu disse: sumariamente. Mas continuo estudando.

Estou cantando em coral, no naipe dos baixos – sim, a minha voz é estranha e linda.

Apareci um monte de vezes em jornais e programas de TV. São as saudades do palco, que procuro amenizar dessa maneira.

Twittei muito e bloguei pouco. Mas não deixei nenhum e-mail pessoal sem resposta.

Escrevi muito, e há textos novos para publicar no próximo ano.

Desfrutei de incontáveis horas de boa leitura.

Também vi TV, filmes e séries, minha paixão.

Perdi dez quilos e reencontrei minha cintura.

Encontrei amigos queridos em volta de cafezinhos e boas ideias.

Viajei e conheci gente nova, interessante e talentosa.

Continuei saudável e com todas as taxas normais.

Troquei meu velho Palio-1996 por um carro vermelho e mais novo.

E você, meu caro leitor, participou comigo desses momentos, nem que seja apenas lendo essas mal tecladas linhas. Por isso quero lhe agradecer por me dar essa felicidade.

Quanto a 2012, eu não faço pedidos para o Ano Novo.

Aprendi, na idade em que estou, a não me incomodar muito com o futuro, e não me deter muito nas recordações do passado. O presente, que está aqui e agora, é tudo o que me interessa. Penso que a vida é como uma renda feita de linha colorida, toda enrolada em um novelo que eu vou puxando com minha agulha de crochê e vou tecendo, ponto por ponto, um de cada vez, um enganchado no outro, enquanto houver linha, enquanto as mãos puderem segurar a agulha e enquanto a mente puder conceber a trama da renda.

Então, mãos à obra!

A foto acima foi feita por Kaleb Melo surpreendendo-me em plena ação enquanto dava oficina de teatro para o Elenco Mosh.

Comentários
1 Comentários »
Categorias
Comportamento
Tags
atividades em 2011, planos para 2012, prestando contas, relatório
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

As coisas supérfluas

Clotilde Tavares | 23 de dezembro de 2011

O post abaixo é um dos textos do meu livro Coração Parahybano que você pode baixar gratuitamente clicando aí ao lado, no topo da coluna da direita deste blog.


O Natal se aproxima e com ele todo o cortejo de rituais e tradições desta festa que já foi pagã, hoje é cristã e, do jeito que as coisas andam, talvez se torne pagã novamente, trocando as igrejas pelos shopping-centers e as divindades cristãs pelos ídolos da TV com os quais todo mundo quer se parecer. As tais catedrais do consumo estão repletas de pessoas em busca das “lembrancinhas” que, mesmo simples e baratinhas, tornam todo mundo tão feliz. Prudentemente, fiz todas as minhas compras até domingo passado e agora me divirto apenas em fazer os pacotes e pensar na mensagem que vou escrever para cada um.

Gosto de me lembrar dos presentes que ganhei ao longo dessas décadas de vida, e foram todo tipo de presente. Nunca consegui me esquecer de um pianinho de dez teclas, do dó ao mi, que ganhei de Papai quando tinha dez anos. Ficava horas, sentada no chão, tirando melodias no pequeno teclado e sentindo falta de alguns sons que somente depois descobri em um piano maior, escondidos nas teclas pretas que o meu pianinho não tinha.

Ganhei brinquedos e livros quando era criança, roupas e livros em mocinha, jóias, bijuterias, perfumes e livros depois de adulta. Até hoje, continuo ganhando livros, sempre acompanhados dos presentes que gosto mais: bijuterias, perfumes, écharpes, caixinhas de madeira e porcelana, leques, cadernetas…

E fora os livros, é claro, gosto muito mesmo dessas pequenas bobagens que muitas vezes não servem para nada e das quais já temos um bom número. Supérfluas, desnecessárias, por isso mesmo fazem a nossa festa e a nossa alegria, porque presente tem que ser algo extra, algo diferente, e presentear com aquilo que normalmente a gente tem que comprar no dia-a-dia é a coisa mais sem graça do mundo.

É como aquele garotinho de uns quatro anos que vi na loja e que, enquanto os pais escolhiam para ele uma roupinha, gritava em alto e bom som: “Mas eu não quero essa roupa normal! Eu quero um traje completo do Homem-Aranha!” Esse meninozinho, para mim, é o símbolo do Natal, neste ano de 2005. Sair do lugar comum, da roupinha linda e de griffe mas ao mesmo tempo chata e convencional, e ousar no traje diferente, cheio de atitude, na “roupa do Homem-Aranha”. Pensar diferente, sair da mesmice, fazer algo inusitado e, principalmente, desfrutar do supérfluo.

Como disse o imortal William Shakespeare, no “Rei Lear”, Ato II Cena 4: “Até os homens mais pobres precisam de coisas supérfluas”.

Feliz Natal.

Comentários
Sem Comentários »
Categorias
Comportamento
Tags
feliz natal, homem aranha, Natal, rei lear, Shakespeare, spiderman, supérfluo
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Lula, e a doença da Humanidade

Clotilde Tavares | 29 de outubro de 2011

Sempre me espanto com o grau de veneno dos meus semelhantes, quando alguma pessoa da área política adoece, como acontece agora com o ex-presidente Lula.

O twitter está cheio de gente desejando que ele morra logo, que o câncer o consuma de uma vez, e outras aberrações semelhantes.

Eu não morro de amores por Lula como homem público. Não quero aqui entrar em análises políticas e econômicas porque não vem ao caso. Tenho uma certa antipatia por Lula por causa de características pessoais que ele tem, e que são certamente as mesmas que despertam o afeto e simpatia em quem gosta dele. Repito: não é por causa de política, porque gosto e admiro a presidente Dilma, do mesmo partido que ele.

O que digo aqui é que, se Lula está doente, com câncer, o único sentimento que eu tenho por ele neste momento é a compaixão, e o desejo de que ele melhore e volte a se sentir bem, porque nessa hora somos todos iguais. Na hora da Doença, da Dor, da Morte, o ex-presidente Lula, eu e você que está lendo isto agora, somos todos iguais na nossa humanidade.

Todos somos iguais e pertencemos a um mesmo corpo, a uma mesma alma. Se um de nós está com fome, com frio, ou com medo da morte, todos estamos. Se existem pessoas que não entendem isso, e se alegram com a desgraça alheia, então, “cumpanheiros”, a Humanidade é quem está doente, muito, muito doente.

Comentários
Sem Comentários »
Categorias
Comportamento
Tags
câncer, Lula, presidente Lula
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Voltei!

Clotilde Tavares | 24 de outubro de 2011

Depois de “um longo e tenebroso inverno”, expressão que Mamãe usava para se referir a um longo período de inatividade em qualquer setor de sua vida, eu estou de volta. Pelo menos, penso que estou, porque após um bom período de preguiça, inatividade, ocupação em outras tarefas, realização de diversos projetos e o mais que você possa imaginar, hoje eu amanheci com aquela coceira na ponta dos dedos e aquela agonia na cabeça que sempre sinto quando vem a vontade de escrever, de me comunicar de forma mais extensa do que os 140 caracteres do Twitter, que tem sido ultimamente minha plataforma de comunicação

Nesses dias em que andei ausente fiz coisa que só.

Acrescentei um novo livro à minha produção. É O Verso e o Briefing: a Publicidade na Literatura de Cordel, editado pelos Jovens Escribas, uma editora jovem, inteligente e antenada aqui de Natal.

Trabalhei que só um bicho, em coisas que fazem parte da vida do escritor: palestras em escolas para divulgar os livros, jurada de concursos literários diversos, artigos para essa ou aquela publicação.

Li pra caramba e vi muitos filmes e séries na TV. Mergulhei no mundo maravilhoso e alucinante das Crônicas de Gelo e Fogo/Game of Thrones, de George R. R. Martin, do qual já li os três primeiros livros e vi a 1ª temporada da série que passou no HBO.

Aos poucos, estou conseguindo decifrar os segredos da leitura musical e acostumar meus dedinhos toscos a reproduzirem no piano as deslumbrantes melodias que estão aí, adormecidas nas partituras, à espera de que a gente descubra o seu encanto. Meu professor, Leandro Rocha (veja o blog dele, Em volta da arte) com quem estudo desde 28 de março, é um santo em figura de gente, paciente e todo musical.

Essa coisa da música também me levou ao canto coral, e faço parte agora do Coral Harmus, sob a regência de Leninha Campos, onde acrescentei minha voz grave ao naipe dos baixos. É isso mesmo, é lá onde eu canto, com os homens, na clave de fá.

Para “fechar o firo”, realizei o meu projeto para este ano de 2011 que era perder 10 kg até 31 de dezembro. Consegui isso no final de setembro, graças à reeducação alimentar e muita disciplina.

Enfim, é isso.

Voltei.

Comentários
1 Comentários »
Categorias
Arte, Comportamento, Cultura
Tags
cordel, Cronicas de Gelo e Fogo, Leandro Rocha, Leninha Campos, literatura de cordel, O Verso e o Briefing
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Avental todo sujo de ovo

Clotilde Tavares | 8 de maio de 2011

Hoje é um dia em que as pessoas estão homenageando as suas mães. É almoço, é presente, é café da manhã com rosa vermelha na bandeja. Também é o dia daquelas ofertas surpreendentes do tipo: “Mãe, hoje você não pisa na cozinha. Eu mesmo vou fazer o almoço.” E a pobre mãe se resigna a entregar a cozinha ao filho ou à filha, mestre-cuca por um dia, mesmo sabendo que depois vai dar duro para limpar a bagunça que o cozinheiro improvisado certamente vai deixar atrás de si.

Aqui em casa a gente não liga muito para isso, principalmente depois que meus dois filhos casaram e vêm comemorando esse dia na casa das respectivas sogras, mais empenhadas do que eu no quesito “maternidade” e mais afeitas a esse tipo de comemoração.

Confesso que não me reconheço uma mãe exemplar. Sempre tive que trabalhar para criar meus dois rebentos, sem a ajuda de ninguém. Apaixonada pelo trabalho como sempre fui, muitas vezes me ausentei e não fui tão presente o quanto deveria. Também, com essa minha mania de ser artista, nunca assumi o modelo tradicional da santa que desdobra fibra por fibra o coração. Não sou rainha do lar, não sou nem nunca fui santa e jamais, jamais entrei na sala com o chinelo na mão e o avental todo sujo de ovo.

Meus dois filhos, Rômulo, 37, e Ana Morena, 26, são adultos perfeitamente ajustados, produtivos, independentes financeiramente e muito saudáveis. Não se drogam, nem nunca se drogaram, nunca precisei mandar nenhum dos dois trabalhar ou estudar e, afora pequenas crises tão previsíveis quanto passageiras, nos damos muito bem e somos felizes juntos.

Não sei se eles são assim por sorte minha ou por causa de alguma coisa que eu fiz, sem saber direito o que estava fazendo, acertando por puro acaso como acho que sempre acaba acontecendo nessas coisas do coração.

Não sei o que fiz, mas sei o que não fiz: nunca transformei meus filhos em reféns do meu amor. Nunca exigi que eles renunciassem às suas vidas por minha causa e nunca renunciei à minha por causa deles, para no futuro não cobrar deles esse preço. Nunca menti aos meus meninos, nunca fui desonesta com eles, e sempre compartilhei todos os problemas que tive, qualquer que fossse a natureza dessas dificuldades. Criei-os sozinha, mas nunca aleguei isso em meu benefício nem nunca culpei ou responsabilizei o pai de um ou de outra por nada. Meus filhos sempre souberam que foram escolha minha, responsabilidade minha, para o que desse e viesse, incondicionalmente. E sempre tiveram a liberdade de conversar comigo sobre qualquer assunto. Então, sei que fui omissa no quesito do sacrifício, da devoção, da santidade. Mas procurei transformar a nossa vida em algo rico, criativo, ensinando-lhes a suprema qualidade do bom-humor, e a rir da vida e de si mesmos como requisitos para resolver qualquer problema.

Fico feliz de tê-los criado tão sem culpa que podem me deixar sozinha nesse dia sem sofrerem e sem pensar que eu sofro; e parabenizo a mim mesma por, neste Dia das Mães, que para muitos é dia de obrigações, de cobrança e de chantagem emocional, estar perfeitamente à vontade para almoçar sozinha em casa ou em algum outro lugar, e depois ir ao cinema sem me lamentar e sem desdobrar fibra por fibra nem o meu coração, nem o deles.

Esta crônica foi escrita em maio de 2005 e publicada na Tribuna do Norte, jornal em que escrevi todos os domingos de 1998 a 2007 – quase dez anos. Mesmo tendo sido escrito há seis anos, o texto retrata exatamente o que sinto e penso ainda hoje. Rômulo agora tem 43 anos e Ana 32; e tenho certeza de que eles me amam todos os dias do ano.

Comentários
6 Comentários »
Categorias
Comportamento
Tags
dia das mães
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Vai um torresmo?

Clotilde Tavares | 22 de abril de 2011

Nas Minas Gerais, o torresmo está presente em tudo. Iguaria politica e nutricionalmente incorreta, gordura pura, colesterol em estado de exagero, mantive-me à distância; e muito embora o que excite minha gula são mesmo os doces, não posso negar o apelo irresistível do torresmo, crocante e saboroso, parede ideal para a cerveja como reza a foto.

A manhã hoje foi passada no Mercado Central de Belo Horizonte, vadiando por entre os boxes repletos de todo o tipo de coisa.

Depois, um bacalhau no tradicional Restaurante do Porto, na Espírito Santo com Aimorés, a uma quadra de onde estou hospedada.

Agora é jiboiar um pouco e arrumar as malas para voltar amanhã ao Rio Grande do Norte, para Natal, a Noiva do Sol, minha cidade querida (como gostava de dizer o mestre Câmara Cascudo).

Estou troncha de saudade.

Comentários
4 Comentários »
Categorias
Comportamento, Cultura, Curiosidades, Viagens e turismo
Tags
comida mineira, Torresmo
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Adoro os homens

Clotilde Tavares | 17 de janeiro de 2011

Hoje à tarde, enquanto fazia as unhas, eu estava comentando com umas amigas sobre as coisas que as mulheres são capazes de fazer, ingerir, usar, aplicar, ou outras ações, sobre coxas, bundas, barrigas e outras partes da antomia para eliminar ou diminuir a celulite.

A ciência fala melhor do que eu sobre a celulite, e você pode ler algo bem interessante aqui no blog Salada Médica, da médica Meire Gomes, minha amiga, a quem chamo carinhosamente de Meire G.

Da celulite descambamos para outros assuntos e, em torno dessas amenidades comentamos entre risadas que a maioria dos homens não nota mesmo se mulher tem celulite ou não, como também não repara em detalhes de moda, de maquilage, de acessórios ou de griffe. Há uma cena curiosa no filme Legalmente Loira onde a personagem descobre que o “bofe” não era bofe coisa nenhuma pois sabia identificar precisamente se um sapato Prada era da coleção inverno ou outono.

Aí, uma das moças contou uma história engraçada.

Disse ela que uma das amigas usa sempre um perfume de marca, francês, que custa cerca de 180 dinheiros o vidrinho de 30 ml. O marido, como a maioria dos homens, não comenta, não entende, e a beija e ama sem atentar para esses detalhes.

Um belo dia aparece uma grande praga de mosquitos. Ela abre mão da essência francesa e, depois do banho, se lambuza de repelente para enfrentar a brisa da noite na varanda. Ao passar pelo marido, ele levanta o rosto, encantado, em direção a ela, e comenta:

- Hummmm… Mas você está muito cheirosa!
…
Assim são os homens – e eu adoro eles. Talvez, quem sabe, por isso.

Ilustrando este post, o ator Simon Baker, que não tem nada a ver com o que escrevi aí em cima afora o fato de ser um homem muito bonito.

Comentários
3 Comentários »
Categorias
Comportamento, Humor
Tags
celulite, comportamento masculino, Legalmente Loira, Moda, repelente, sapato Prada
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

« Entradas Anteriores

Baixe grátis meus livros:

  • Coração Parahybano
  • Formosa És: memórias do internato

Meus Blogs

  • A Noiva do Sol
  • Flickr
  • O Clã Santa Cruz
  • Portal Diginet
  • Twitter

Moda, beleza, decoração, craft

  • Daqui e de lá
  • De(coeur)ação
  • La Reina Madre
  • SalaDa Médica
  • Salto Agulha

Notícias e idéias

  • Efetividade.net
  • Escreva Lola Escreva
  • Geófagos
  • Grande Ponto
  • Internetcidades
  • Lucas Mafaldo
  • Noticiando
  • Sempre Algo a Dizer
  • Substantivo Pural
  • Zel

Tópicos Recentes

  • Deífilo Gurgel (1926- )
  • Os sete pecados capitais
  • Deixe de pantim!
  • Quatro histórias e um samba
  • A trama da renda

Tags

7 de setembro Antonio Marinho barulho barulho urbano blog blogosfera Bom Conselho-PE Braulio Tavares cabelos brancos cama Campina Grande Cariri casamento classificados Comportamento comportamento humano corrupção criança Cãmara Cascudo Design escrever escritor Fotografia e design gatos Hamlet hoax idade Internet leitura Literatura livros meio ambiente Moda mundo blog Natal Nilo Tavares padrão de atendimento Paraíba preguiça sertão Shakespeare solidão teatro turismo Viagem

Categorias

  • Arte (29)
  • Comportamento (167)
  • Cultura (70)
  • Curiosidades (51)
  • Fotografia e design (20)
  • Humor (35)
  • Memória (31)
  • Qualidade de vida (28)
  • Sem categoria (20)
  • Tecnologia e Internet (25)
  • Uncategorized (65)
  • Viagens e turismo (26)

Páginas

  • Quem sou?

Arquivos

  • fevereiro 2012 (1)
  • janeiro 2012 (1)
  • dezembro 2011 (5)
  • novembro 2011 (2)
  • outubro 2011 (3)
  • junho 2011 (1)
  • maio 2011 (2)
  • abril 2011 (3)
  • janeiro 2011 (14)
  • outubro 2010 (3)
  • setembro 2010 (11)
  • agosto 2010 (3)
  • julho 2010 (5)
  • junho 2010 (2)
  • maio 2010 (5)
  • abril 2010 (13)
  • março 2010 (19)
  • fevereiro 2010 (18)
  • janeiro 2010 (17)
  • dezembro 2009 (25)
  • novembro 2009 (28)
  • outubro 2009 (31)
  • setembro 2009 (29)
  • agosto 2009 (28)
  • julho 2009 (30)
  • junho 2009 (28)
  • maio 2009 (29)
  • abril 2009 (29)
  • março 2009 (6)

Agenda

fevereiro 2012
S T Q Q S S D
« jan    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
272829  

Meta

  • Login
  • Posts RSS
  • RSS dos comentários
  • WordPress.org
rss Comentários RSS valid xhtml 1.1 design by jide powered by Wordpress get firefox