Umas & Outras

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Todos no lugar!

Clotilde Tavares | 16 de janeiro de 2011

Finalmente terminei de colocar todos os livros no lugar. Para o meu caro leitor que não é muito afeito à leitura, ou acha que livro é pra ler e passar adiante, fica difícil transmitir o meu sentimento de afeição e companheirismo com esses amigos de papel.

Há livros que me acompanham desde a infância, o que quer dizer que estão há bem uns 60 anos comigo; muitos deles têm dedicatórias, ou me lembram épocas e períodos da minha vida, ou neles eu anotei coisas – sim, porque eu escrevo nos livros. Então, são meus, ninguém tasca, e quando eu morrer vão ser fonte de grande aperrreio para quem ficar com a função de dar destino à papelada. Mas isso é só quando eu morrer e, francamente, depois que eu me for, podem fazer o que quiserem com o que ficou atrás que eu não estou nem aí – aqui, vale uma reflexão: se existe Inferno deve ser esse da pessoa morrer e ficar se preocupando, sem poder interferir, com tudo aquilo que os vivos estão fazendo com as coisas que ela deixou…

Voltemos aos livros.

Eu tinha quatro estantes de metal, de seis prateleiras, onde os livros estavam empilhados, sem sobrar nenhum espaço livre. O empilhamento economiza muito espaço e há quem diga que essa é a melhor maneira de guardar os volumes, porque quando estão de pé um ao lado do outro costumam “empenar”. Mas já pensou você querer consultar um livro e ele estar lá, embaixo de todos os outros, na tal “pilha”?

Com as estantes novas, estão agora todos enfileirados, empezinhos, lado-a-lado, distribuídos por assunto, e eu ainda conservei duas estantes das antigas em outros lugares do apartamento para que todos ficassem bem acomodados.

Desde ontem que terminei, e não me canso de namorar com eles.

Falta contá-los, o que farei mais tarde. Na última contagem, em julho de 2009, havia 1.789 volumes – sem contar revistas, plaquetes e gibis.

UPDATE (18/01): Contei os livros. São exatamente 1.814 volumes, sem contar revistas, plaquetes e folhetos.

Não ficou lindinho?

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arrumação de livros, estantes, livros
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Arrumando as estantes

Clotilde Tavares | 13 de janeiro de 2011

Mais uma vez estou aqui imersa em pilhas de livros. É que depois de décadas usando velhas estantes de aço, pintadas de preto, resolvi comprar novas estantes de madeira, que vieram de MeuMoveldeMadeira, foram montadas por Batista – o tal faz -tudo que quebra os galhos aqui de casa – e hoje estão ali, bonitinhas e vazias, à minha espera.

Olha, isso quando terminar de arrumar vai ficar muito bonito. E a coisa de que eu gosto mais é de arrumar meus livros. Folheando devagar, revendo volumes que há tempos não via, acariciando suas velhas capas como quem toca o rosto de um amigo antigo, que está sempre ali, fiel e dedicado. Vai seu um fim-de-semana muito bom!

Estantes novas, prontas para a arrumação. Livros empilhados pela sala inteira. Devem ser uns... 1.700 a 2.000.

Olha a sala como está: livros por toda parte!

E comecei a arrumação por ele, o imortal e genial William Shakespeare, que ocupa duas prateleiras.

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arrumar estantes, estantes, livros
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Inventando histórias

Clotilde Tavares | 6 de janeiro de 2011

Só para informar ao meu caro leitor: estou uma semana afastada da minha base em Natal, para inventar uma história.

“Minha base” é o meu apartamento em Natal, onde há múltiplos elementos captadores da minha atenção: montes de livros e revistas, TV fechada com muitos canais, conexão Internet de alta velocidade e as solicitações daquilo que chamo de “mundo exterior”: família, amigos e outros compromissos.

Aqui, onde estou, num chalé na Praia da Pipa, tenho apenas dez livros que trouxe de Natal; e para me conectar à Internet com velocidade tenho que sair do chalé e ir até a área comum da pousada, onde tem wireless. No chalé, meu modem 3G da Claro só tem meio G e eu não consigo me conectar com velocidade suficiente pra ficar de conversê no twitter, no MSN e no Facebook.

Então, fica mais fácil de cumprir o meu propósito aqui que é “escrever um livro”, denominação vaga para uma tarefa que inclui inventar e encadear histórias para acomodar os personagens que criei e que se movimentam a esmo na região do Cariri Paraibano – lugar onde vai se passar a narrativa.

Construo minhas histórias como uma aventura de RPG: invento um Universo, onde vai se passar a ação; depois invento os personagens. Aí, fica faltando a história, o enredo, os acontecimentos, que terminam sendo criados pelas relações que esses seres imaginários estabelecem uns com os outros, muitas vezes surpreendendo até mesmo a mim porque, quando a gente começa a escrever, a história começa a correr um pouquinho à nossa frente, e nos leva a lugares ou situações não previstos antes.

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-

O lugar onde estou é um conjunto de chalés em meio a uma vegetação característica da Mata Atlântica embora sem grandes árvores. São chalés adoráveis, cercados por árvores pequenas e arbustos, com tudo que uma pessoa pode querer para ficar confortável e se sentir bem e segura.

Muita gente quer saber “com quem eu vim”: pois não vim com ninguém. Vim sozinha. Já deixei de fazer muita coisa na minha vida porque não tinha companhia. Agora, faço sozinha mesmo. Gosto de ficar só, de fazer meus próprios horários e, finalmente, com a Internet e todas as suas ferramentas de comunicação, só fica sozinho quem quer, não é, minha gente? Agora mesmo não estamos eu e você juntos, através deste texto? Pois é.

Finalmente, se rolar solidão, é só caminhar 15 minutos a pé para chegar até a rua principal da Pipa, e lá eu garanto que acontece de um tudo…

E veja só a cama em que estou dormindo. Ahhhhhhh…

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chalés em Pipa, escrever, escritor, Pipa, Praia da Pipa
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Eles não deixam

Clotilde Tavares | 4 de janeiro de 2011

Falta sossego pra escrever.

Falta sossego para sentar em frente ao teclado, focar o juízo e desenvolver uma ideia ou um raciocínio, defender um ponto de vista, inventar uma crônica sobre o nada e sobre coisa nenhuma.

Isso acontece quando há dentro de mim uma história querendo sair, um livro novo se gestando, com os personagens andando aleatoriamente por dentro da minha cabeça ou criando vida e me aparecendo pelos cantos mais inusitados da casa, mas ainda sem se entenderem uns com os outros ou saberem o que vão fazer.

Uma multidão de gente diferente, cada um com sua história, sua cara e seus objetivos, alguns sem objetivo algum, mas todos eles barulhentos, incomodativos, reclamadores de atenção, que é assim que são os personagens quando são inventados, antes que a gente – a gente que escreve – submeta eles à constrição e à disciplina do texto.

Por isso fica difícil escrever sobre outra coisa.

Eles não deixam.

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escrever, escritor, vida de escritor
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Ainda falta muito

Clotilde Tavares | 1 de janeiro de 2011

Marcela Temer tem 27 anos e é 42 anos mais jovem do que o marido, o vice-presidente Michel Temer, que tem 69 anos. O casal tem um filhinho de dois anos e são casados há sete anos.

Quando a jovem apareceu ao lado do marido, na cerimônia de posse, roubou a cena. Linda, alta, elegante, vestida com classe e distinção, penteada com longa trança – está na última moda! – o twitter pipocou em mensagens, levando o seu nome para os TTs.

Fiquei me perguntando: – E se fosse o contrário?

Se a presidente Dilma, que é divorciada, tivesse se casado há alguns anos com um rapaz, não digo nem 42 anos mais jovem, mas, digamos assim, de 40 anos de idade? Mais novo do que ela 23 anos? Sendo ele também alto, bem-feito de corpo, louro e lindo?

Eu nem tento responder.

Mas afirmo: neste nosso país, uma mulher pode sim chegar à Presidência da República. O que ainda não pode, pelo menos impunemente, é fazer como o fez o Vice-Presidente Temer: escolher como companheiro e consorte alguém bem mais jovem do que ela.

Ainda falta muito para os chamados direitos iguais entre os sexos.

UPDATE: Se o seu comentário é ofensivo às pessoas citadas acima, nem se dê ao trabalho de enviá-lo. É política do blog não publicar ofensas a quem quer que seja, pois a blogueira, dando espaço para tal, torna-se co-responsável.
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Dilma Roussef, direitos da mulher, esposa de Temer, igualdade entre os sexos, Marcela Temer
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“O Estado são eles”

Clotilde Tavares | 3 de outubro de 2010

O memorialista Sandro Fortunato, inventor e mantenedor do site Memória Viva vem colocando no ar exemplares antigos da revista O Cruzeiro.

Recordação viva de uma época, é lá que eu mato as saudades da adolescência e vez por outra sou instigada por um bom texto como esse, da imortal Rachel de Queiroz, sobre os privilégios que os homens – e mulheres – ditos públicos se dão quando no exercício da coisa pública. O texto foi publicado em 12 de setembro de 1959. Nem vou comentar. Vou só reproduzir alguns trechos, para sua reflexão. Então, é ler e pensar sobre.

Diz Rachel:

“ (…) Lembrou-me a minha velha mestra de música, Dona Elvira Pinho, abolicionista e republicana histórica, mulher de rígida virtude particular e cívica. Uma de suas alunas era filha do governador e vinha para as aulas no carro oficial. E D. Elvira interpelava a garota, em plena classe: “Como vai o nosso automóvel? Você tem agradecido aqui às meninas o empréstimo do carro para você passear? Sim, porque tanto o automóvel como o motorista, a gasolina, tudo é nosso – nós que pagamos!”

“A menina ficava encabulada ou furiosa, não sei, e Dona Elvira, abandonando a teoria musical, dava um aula de boa ética republicana. Que tudo pertence ao povo, pois quem paga é o povo. Os governantes que gastam consigo o dinheiro dos contribuintes estão usurpando essas regalias – aliás, a própria palavra está dizendo: regalia – privilégio do rei! República não tem rei, e, assim, os governantes republicanos não deviam ter palácios para as suas famílias nem carros oficiais para passear os meninos, nem comida e luxo à custa do povo.

(…) “Até a ditadura ainda havia um certo pudor. Talvez porque ainda restassem vivos muitos republicanos da cepa de D. Elvira. Com o Estado Novo, todo o mundo amordaçado, sem ninguém para estrilar, o hábito da regalia se universalizou. Os homens públicos deixaram de separar o que era do Estado e o que era deles, ou antes, o uso e abuso dos bens públicos passou a ser privilégio dos cargos e, por extensão natural, da parentela dos cargos. Ninguém se lembra mais da origem do dinheiro com que se custeia o luxo dos poderosos – aqueles ínfimos impostos que o pobre mais pobre tem que pagar: o cruzeiro a mais no preço do feijão, da farinha, do metro de pano, a licença para vender um pé de alface ou um chapéu de palha.

“Talvez se esses aproveitadores da riqueza pública – e entre eles haverá muitos homens honestos – se detivessem um instante a pensar de que pobreza, de que miséria, provém aquela riqueza, que não foi para tal fim que a arrancaram ao triste contribuinte; que aquele automóvel do seu uso talvez custe dez leitos que faltam num hospital; que aquele passeio de avião talvez represente mais cem analfabetos; que aquela comissão no estrangeiro valha por alguns quilômetros de estrada; que aquele piquenique oficial em Brasília talvez esteja custando o DDT que iria acabar a malária numa região inteira ou o barbeiro – em outra; se eles pensassem, talvez recuassem envergonhados, e devolvessem o seu a seu dono.

“Mas eles não se lembram. Vêem apenas o dinheiro fácil, abundante, bom de gastar. Dizem que se um não gastar, outro gasta. E, acima de tudo, convencem-se de que eles próprios e os seus é que representam o Estado, e que emprego da fazenda pública em regalias pessoais para os que encarnam o Estado, é tão legítimo quanto os gastos em ordenados de professoras, em remédios para os ambulatórios.”

(…) “Quando se funda uma nação, o povo promete obedecer aos seus chefes escolhidos e pagar uma percentagem determinada sobre tudo que produzir, para o sustento da indispensável máquina de direção e defesa nacional. Os líderes, por sua vez, juram não ser mais que fiéis servidores do povo que os emprega. Mas parecem que juram à falsa fé. Porque, mal se apanham com a máquina nas mãos, esquecem de quem é o dono e de quem é apenas o gerente. Transferem para a sua pessoa, a grandeza que só era do cargo. Querem palácios condignos, carruagens condignas, tratamento condigno, privilégios condignos.”

(…) “E nessa preocupação de se regalarem a si, acabam esquecendo para que subiram tão alto, e se convencem de que o povo existe apenas para sustentar o Governo, e não o Governo para servir o povo.”

As palavras de Rachel de Queiroz são sábias, fundadoras, tão atuais que parecem ter sido escritas hoje. E são também uma boa lembrança para todos nós, que acabamos de eleger nossos governantes.

Leia aqui a crônica inteira.

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corrupção, O Cruzeiro, Rachel de Queiroz, uso da coisa pública
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Para você, que vota

Clotilde Tavares | 2 de outubro de 2010

Você, caro leitor, que vota e que acredita na democracia, acorde neste domingo certo de que vai exercer um dos direitos mais importantes da sua cidadania. Nas democracias, o voto tem peso igual para todos os cidadãos, e tanto faz ser um pedreiro como um dono de banco, tanto faz ser uma empregada doméstica como uma dondoca ataviada em griffes caríssimas. O voto vale a mesma coisa para todos e, pelo menos nessa hora, todos nós somos realmente iguais perante a lei.

Durante todo o período de campanha eleitoral você conheceu os candidatos e, a acreditar nas pesquisas, já deve ter se decidido. De qualquer maneira, é bom você se lembrar de que o voto é uma procuração que você passa para alguém decidir no seu lugar.

Imagine que você vai viajar, vai passar quatro anos fora, e que durante esse tempo você não vai poder decidir sobre questões que são muito importantes para você, como a condução dos seus negócios, a educação dos seus filhos e a saúde da sua família. Então você vai escolher uma pessoa, que deve ser alguém muito decente, muito amigo e absolutamente confiável para resolver todos esses problemas e tomar todas essas decisões enquanto você está fora.

Esse alguém deve ser uma pessoa cujos ideais, crenças e valores sejam semelhantes aos seus. Deve ser uma pessoa que pense como você, cuja alma tenha sintonia com a sua, e que diante de um imprevisto, ou de uma situação fora do comum, faça o que você faria naquela emergência. Se não for assim, se você não tiver essa confiança, você não passa a procuração porque não tem a certeza de que a tal pessoa vai tomar as atitudes corretas quando necessário.

Pois o voto é a mesma coisa. Durante um certo período de tempo, aquela pessoa em quem você votou tem uma procuração passada por você para tomar conta da cidade ou para propor medidas de melhoria de vida que vão atingir diretamente você e sua família.

Somente com base na confiança do eleitor no seu candidato é que essa escolha deve ser feita. O mínimo que o candidato, uma vez eleito, pode fazer, é mostrar-se digno dessa confiança, já que ele foi nomeado por você seu “bastante procurador”, como se diz nos documentos oficiais.

Então, boa sorte e boas urnas, para você e para todos nós.

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Eu adoro papel!

Clotilde Tavares | 21 de setembro de 2010

O site Efetividade.net sempre está lançando novos desafios aos adeptos da organização e produtividade pessoal. Eu sou uma dessas pessoas e atendendo ao convite do site estou postando aqui como faço para organizar minhas anotações e meu material de referência. O post é longo. Se achar chato vá ler uma coisinha mais amena aqui, ou aqui.

A pergunta de Augusto Campos, do Efetividade, é: que ferramentas você usa para gerenciar suas anotações e referências?

Primeiro vamos definir: anotações para mim são todas as notas que escrevo para me lembrar das coisas mais tarde. E referências é todo o material escrito por outras pessoas, impresso ou não, que me ajuda no meu trabalho.

Eu sou escritora, pesquisadora, professora aposentada e trabalho em casa – ou viajando. Apesar da nerdice que me faz encher a casa de tranqueiras eletrônicas, e de passar 8 a 10 horas por dia no computador, uso para minhas referências um sistema principal de pastas suspensas, pastas reais, cheias de papel. Outro motivo, além de gostar de papel, é que sou da era pré-informática, e não sei como me livrar do monte de papel que já juntei antes. Tenho aquelas maletinhas de plástico com 10 pastas cada uma, que distribuo pelo apartamento – que é pequeno, por isso não posso colocar tudo num lugar só.

Lá está uma delas, entre uma estante e outra.Clique na foto - nessa e nas outras - que aumentam de tamanho.

Cada maletinha dessas tem um assunto que se refere aos meus campos de estudo e pesquisa – uma para Genealogia, outra para Cultura Popular, outra para Teatro, e outra – ou outras – para cada assunto específico em que eu esteja trabalhando no momento.

Na maletinha de Genealogia tem pastas como “Bibliografia”, “Árvores”, “Documentos”, “Olavo de Medeiros Filho” (porque estou reunindo material sobre ele, que é patrono da cadeira nº 2 que ocupo no Instituto de Genealogia e Heráldica da Paraíba.)

Olhaí as pastinhas sobre genealogia.

Na maletinha de Teatro tem “Originais”, que são as peças da minha autoria; “Shakespeare”; “Hamlet” (uma pasta somente sobre Hamlet, que é a peça que mais estudo); “Artigos”, e assim por diante. Na maletinha Cultura Popular tem pastas “Literatura de cordel”, “Cantoria de Viola, “Conto”, e etc. Todas essas maletinhas têm uma pasta chamada “Variado”, onde eu jogo o que não consigo classificar nas outras.

Por exemplo: meu último trabalho foi escrever uma biografia. Então abri uma maletinha dessas para organizar em pastas separadas o material que iria precisar. Mas só um trabalho grande onde vou lidar com muito papel justifica isso. Na maioria dos casos, cada trabalho merece apenas uma pasta, que coloco na gaveta mostrada a seguir.

Essa é uma gaveta de pastas suspensas para assuntos diversos. 1) “Contratos”, onde estão meus contratos com as editoras e com os clientes, contrato de aluguel, com prestadoras de serviço, etc. Todos os contratos – e os distratos – estão nessa pasta. 2) “Receitas e exames”, onde guardo todo aquele material gerado nas consultas médicas. Aqueles exames grandões, que não cabem em canto nenhum, estão embaixo da roupa num das gavetas da cômoda. Além disso, em cima da minha mesa e em lugar fácil está um envelope com todos os meus exames mais novos, para num caso de urgência as pessoas – ou eu mesma – não perderem o juízo procurando.

Olhaí a maletinha de Genealogia e abaixo o móvel com a gaveta de baixo - que é um arquivo de pastas suspensas.

3) “Assuntos”: nesta pasta guardo montes de papeluchos com assuntos possíveis para crônicas, posts, textos. Sacudo lá dentro e esqueço. Quando falta assunto, pego a pastinha e pronto: está tudo lá, montes de ideias. 4) “Cruzeiro”: tenho nesta pasta o material do cruzeiro de navio que realizei, porque minha intenção era escrever um blog sobre isso. Quando eu tiver tempo e voltar a vontade, o material está lá, todo separadinho e fácil de encontrar; 5) “Currículo”: toda vez que faço uma palestra, ou dou um curso, etc, que me dão um papel ou um certificado, jogo lá. No meu currículo virtual coloco apenas os títulos mais significativos. 6) “Casa própria”: estou numa questão com a Caixa Econômica Federal em relação à minha casa, então todo o material está separado numa pasta; 7) “Book”: aqui coloco recortes de jornais e revistas que trazem coisas sobre a minha pessoa. Quando enche, tiro um dia e recorto, ajeito, e coloco numa pasta de saquinhos plásticos onde fica tudo visível. 8 ) “Recibos”. 9) “Palestras e cursos”: roteiros de palestras, rascunhos, fichas de aula. 10) “Documentos”: tudo que não for currículo, contrato, distrato ou recibo vem pra cá. Aí estão titulo de eleitor, carteira profissional, passaporte, documentos do carro… A escritura da casa morava aqui; mas com a questão da Caixa eu abri uma pasta só para isso e a escritura está morando provisoriamente lá. Tem mais outras pastas, é tedioso enumerar aqui, e o objetivo era você entender o mecanismo. Algumas dessas pastas não são necessariamente “Anotações” ou “Referências”, mas é assim que essa gaveta está organizada.

Tudo bonitinho, com etiquetas!

Tudo em que ponho a mão é organizado dessa forma, e resulta disso que eu consigo encontrar qualquer papel com relativa facilidade. As pastas recebem uma etiqueta feita com um etiquetador desses baratinhos, de criança.

Para cada pasta dessa tenho uma com o mesmo título no computador onde armazeno as coisas digitalizadas, coisas diferentes dessas de papel (talvez o ideal fosse digitalizar tudo mas além de ser um trabalho insano eu gosto de pegar em papel). Quando encontro algo interessante na Internet, transformo em PDF com um plug-in do Firefox e armazeno no local adequado, com um título bem descritivo para facilitar a localização do sistema de busca do Windows. Tentei usar Evernote e outros programas semelhantes mas não deu certo, eu simplesmente no dia-a-dia esqueço que eles existem. Não uso Outlook nem qualquer desses programas sincronizados com outros, não tenho paciência.Tenho back-up de tudo – mas não tenho back-up das coisas de papel, of course, porque aí seria maluquice demais. Num incêndio, perderei tudo… menos as coisas que estão no Dropbox– onde eu tenho um espaço gratuito e pequeno, e coloco sempre o trabalho que estou fazendo no momento. Tenho pensado ultimamente em fazer uma assinatura do serviço, que vai me permitir armazenar “na nuvem” todos os meus arquivos importantes.

Vejam essa outra maletinha debaixo da mesinha do quarto. É a de Cultura Popular, assunto com o qual não estou trabalhando agora. No quarto, o tema dorme e descansa para arcordar daqui a uns meses!

Além disso, todas as minhas recordações – cartas, bilhetes, lembranças, e todo tipo de papelucho – recordações essas reunidas ao longo de décadas são guardas em pastas de saquinho plástico, separadas por épocas da minha vida. Eu gosto de folhear essas pastas e me lembrar das coisas – ser feliz de novo, só manuseando as recordações. E estando assim organizadas facilitam a minha vida, uma vez que já comecei a escrever minhas memórias.

Uma das pastas de recordações. O autógrafo à direita é do escritor Ignácio de Loyola Brandão, da década de 1980...

Como o apartamento não cabe todos os meus papéis, tenho um espaço na casa da minha filha onde coloco o “arquivo morto”: papéis que não utilizo todo dia mas que estão lá, todos colecionados e sinalizados para que eu encontre o que precisar na hora certa. Aí eu tiro uma foto da estante onde eles estão guardados e é só olhar a foto e procurar, como se estivesse em frente à estante – daí é só ligar para Ana Morena, minha filha roqueira pedindo a ela para pegar na estante e olhar, se for o caso, sem precisar ir até lá.

O que importa disso tudo é que sei onde está cada papel meu.

Apesar de toda essa maluquice, sempre estou aprimorando o sistema e aceito sugestões.

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“Só vingança, vingança, vingança…”

Clotilde Tavares | 18 de setembro de 2010

Hoje quero falar sobre vingança. Mas por que um assunto desses? Por nada não, só porque me deu vontade. Não quero me vingar de ninguém, não estou com raiva de ninguém – agora. Vez por outra tenho minhas raivas e quero matar, assassinar, fico doente de raiva e quero me vingar! Pois é meu caro leitor, se você pensa que sou uma doce velhinha você está muito enganado.

A diferença é que eu sinto essas coisas aí por uns cinco minutos, respiro fundo e aplico a mim mesma a frase que eu mais gosto sobre o tema: “A maior vingança é o sucesso!” E corro a escrever, a pensar, a ter ideias, sempre naquela direção dos sentimentos positivos porque esse negócio de ter raiva e de guardar rancor detona com nossas pobres artérias e nos leva ao enfarte mais cedo do que programado.

Apesar disso, não posso negar que o assunto me atrai pela sua força literária, por carregar um conteúdo tão forte de drama e de tragédia.

Quem não se lembra do samba “Mas enquanto houver voz em meu peito eu não quero mais nada/ Só vingança, vingança, viangança aos anjos clamar…”? Quando ouço cantar isso em mesa de bar ou roda de amigos, é divertido olhar para as pessoas, e as expressões que fazem mostram que cada uma tem sua vingançazinha particular guardada em algum canto, atrás de alguma porta interna, esperando…

Sun-Tzu, autor de “A Arte da Guerra”, disse:”Se esperar bastante junto ao rio, os corpos dos seus inimigos passarão boiando”, mas aqueles eram tempos cruéis. Isso não impede que eu me recorde imediatamente do aforisma caririzeiro que aprendi em pequena: “Todos os meus inimigos estão mortos” – pra quem não entendeu, explico que a vingança do autor da frase é tão definitiva que ele não tem mais nenhum inimigo vivo.

São muitas frases: “A vingança é um prato que se come frio” ou “Não há maior vingança do que o esquecimento.”

Mas a melhor delas é o verso da poeta Rosalia de Castro citada no livro de Alfredo Bosi O ser, o tempo e a poesia:

“Não cuidarei dos rosais
que ele deixou, nem dos pombos
que eles sequem, como eu seco
que eles morram, como eu morro.”

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O Corvo e a Alegria

Clotilde Tavares | 17 de setembro de 2010

A ilustração é de Gustave Doré.

Uma vez, quando esse Umas & Outras ainda era uma newsletter que eu mandava pra uma lista de amigos, comecei escrevendo assim:

(…)

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria,
a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,
e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito de um ruído,
tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar,
“É alguém” — fiquei a murmurar — “que bate à porta, devagar;
sim, é só isso e nada mais.”

(O Corvo, de Edgard Allan Pöe)

E, depois de citar o poeta de “O Poço e o Pêndulo”, continuei:

“É nesse clima de expectativa, noite e dia agarrada a vetustos livros de genealogia, com os antepassados me rondando, tomada pela energia esquisita de Pöe e sua ave sombria, que me encontro.

Sem concentração, sem sossego, esperando o que está do outro lado da porta mas sem estar pronta ainda para abri-la.

Deve ser o inverno, a chuva, o frio, esse tempo que me deixa assim.”

(…)

Aí foi um dilúvio de emails, as pessoas muito preocupadas comigo, perguntando carinhosamente como eu estava, julgando-me deprimida ou mergulhada numa crise existencial.

Mas não era nada disso, meu caro leitor. O que acontece é que eu tenho o gosto do drama, da tragédia. Adoro um clima soturno e sombrio, uma história de assombração, um romance gótico. Nada disso é de verdade, sendo apenas uma curtição estética e incorporada aos pequenos papéis que represento aqui no palco da Internet, mais para me divertir e para divertir os leitores do que para qualquer outra coisa. Por isso fiquei constrangida, e fico sempre quando vez por outra pessoas boas e amorosas embarcam na minha viagem alucinada e pensam que é de verdade.

Fique o meu caro leitor sabendo que sou alegre, otimista e cheia de tesão pela vida; tenho meus momentos de contrariedade, desilusão e tristeza, porque isso é inerente à condição humana mas a tônica da minha vida são a Alegria, o Bom-Humor e o Entusiasmo.

Edgar Allan Pöe e o Corvo me dão muito prazer estético, mas – felizmente – são só para tirar uma onda.

E viva a Vida!


Veja aqui como era o Umas & Outras antes de virar blog.


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