Calendário
Clotilde Tavares | 12 de julho de 2009
Nessa nossa vida agitada, vivemos estritamente regidos pelo relógio, pela agenda, pelo calendário. O tempo é medido, fracionado e domesticado através desses três instrumentos e fica difícil para muitos de nós, quando queremos nos livrar do estresse, entregar o tempo à sua natural fluidez, à sua eterna repetição de um dia depois do outro e uma noite no meio. É quase impossível se livrar do relógio mesmo em férias, mesmo numa praia deserta, mesmo num lugar onde não precisamos dele.
Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a maioria da população media o tempo pela época em que as flores se abriam, ou chegavam as tempestades, ou a neve derretia, ou os rios corria mais cheios. Houve um tempo – parece mentira – onde não existiam o domingo nem os outros dias da semana e onde as “quatro festas do ano” eram determinadas pelo ângulo que os raios do sol faziam com um marco qualquer, revelando os solstícios e equinócios.
Em algum momento, porém, foi preciso que houvesse uma medição exata do tempo para disciplinar a vida comercial e social de comunidades e países que cada vez estavam mais civilizadas. Como, por exemplo, calcular juros sobre um empréstimo sem um calendário unificado? Como disciplinar entradas e saídas de navios de um porto? Como fazer a cristandade comemorar no mesmo dia a Páscoa e o Natal?
Todas essas perguntas estão respondidas no livro “Calendário: a epopéia da Humanidade para determinar um ano verdadeiro e exato”, de David Ewing Duncan (Ediouro, 1999). É um livro espetacular, pois o autor, começando a sua história desde a aurora da Humanidade, quando o homem pré-histórico entalhou num osso a passagem dos dias e as fases da Lua, vai até a espetacular epopéia que foi a criação do calendário gregoriano, esse que hoje em dia ainda nos rege. O livro dá detalhes de como foi formado o “grupo de trabalho” de cientistas e sábios, e de todos os estudos precursores dessa forma de medir o tempo que nos parece tão natural e lógica.
Estamos tão acostumados com o tempo disciplinado e sendo o mesmo para todos os países do mundo que sequer podemos imaginar que apenas cinco séculos atrás isso não existia e que cada país, ou nação, usava a forma que lhe fosse mais confortável de medir o tempo. Mesmo o calendário gregoriano criado sob o aval do Papa não foi aceito imediatamente por todos os países. A própria Inglaterra só veio adotá-lo no século XIX, da mesma forma que ainda adota o sistema métrico baseado em libras, polegadas e jardas.
É o autor quem fala: “Afinal fomos nós os humanos que inventamos esta coisa que tanto é uma ferramenta milagrosa quanto uma gaiola de momentos finitos que nos mantém para sempre correndo por aí, tentando tirar o máximo do tempo curto que nos foi destinado.” A leitura deste livro é uma agradável aventura, que, afinal, vai fazer o nosso tempo passar mais rápido e preencher aquelas “horas vagas”, que ficam por ali nos espiando, insistindo sempre para serem preenchidas. Boa leitura.
O calendário bonitinho ao lado achei aqui.














Aí, um belo dia, depois de uns vinte anos no Brasil, já com dinheiro sobrando para viajar e fazer turismo, empreendeu a realização de um velho sonho, que era conhecer o Rio de Janeiro, cidade que ele achava a mais bela do mundo. Viajou com a família, hospedou-se na casa de um compadre e num dia em que a mulher foi fazer compras e as filhas foram ao cinema, ele resolveu ir ver de perto o Cristo Redentor. Lá em cima, deslumbrou-se com a paisagem espetacular, tomou um sorvete e veio voltando, descendo a escadaria. Cansado, sentou-se em um banco no meio da descida, onde duas jovens senhoras também estavam tomando um fôlego antes de continuar a subida. E começaram a conversar.






![Wagner_with_Ludwig_II[1] Ludwig, com Wagner](http://clotildetavares.files.wordpress.com/2009/05/wagner_with_ludwig_ii1.jpg?w=106)






















