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Oito livros

Clotilde Tavares | 7 de janeiro de 2011

As pessoas não tomam jeito na sua curiosidade e no seu voyeurismo.

Não acho isso nada demais. Eu mesma sou uma curiosa sem concorrentes, e se não sou voyeur é porque talvez não ache a vida alheia suficientemente interessante a ponto de deixar de viver a minha vida para espionar a dos outros.

Pois então: como falei que havia trazido uns livros para este meu isolamento, já teve gente que queria saber que livros eram!

Como não é segredo, vou informar aos curiosos as minhas escolhas.

O primeiro deles foi o texto de William Shakespeare “Tróilo e Créssida”, uma peça pouco conhecida e que eu nem sequer me lembrava da história. Tinha começado a ler em Natal, e hoje de manhã li o 4º. e o 5º. ato, concluindo a obra. Trouxe também o DVD, que vou ver mais tarde.

Trouxe três livros que me ajudam na construção da narrativa que estou esboçando. São livros que sempre estou lendo e relendo, e que toda vez que os abro saio cheia de insights poderosos: A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Mikhail Bakhtin; As Raízes Históricas do Conto Popular, de Wladimir Propp; e Fábulas Italianas, de Ítalo Calvino.

Outros três livros, esses novos, que comprei ou ganhei, e que estou doida para ler: Leite Derramado, de Chico Buarque, presente de amigo secreto da maravilhosa Atalija Lima; Uma Viagem pela Idade Média, organizado por Adriana Zierer, da Universidade Estadual do Maranhão, que comprei diretamente à autora pela Internet; e Minha Vida Meu Tudo, memórias de Francisco Nunes da Costa, que o autor me deu de presente antes de ontem e que eu já li bem umas 50 páginas.

Tem ainda um ensaio “Contra o Amor”, de Laura Kipnis, que já comecei trocentas vezes, que acho ótimo, mas que sempre acontece algo para interromper essa leitura. Esse livro é muito, mas muito bom mesmo.

Pronto, meu curioso leitor. Eis aí o que estou lendo. Pensei que eram dez, mas são só oito.

Satisfeito?

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Arte, Cultura
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Adriana Zierer, Atalija Lima, Bakhtin, Chico Buarque, Ítalo Calvino, Laura Kipnis, leitura, Literatura, livros, Nunes da Costa, Propp, Troilo e Cressida, William Shakespeare
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Inventando histórias

Clotilde Tavares | 6 de janeiro de 2011

Só para informar ao meu caro leitor: estou uma semana afastada da minha base em Natal, para inventar uma história.

“Minha base” é o meu apartamento em Natal, onde há múltiplos elementos captadores da minha atenção: montes de livros e revistas, TV fechada com muitos canais, conexão Internet de alta velocidade e as solicitações daquilo que chamo de “mundo exterior”: família, amigos e outros compromissos.

Aqui, onde estou, num chalé na Praia da Pipa, tenho apenas dez livros que trouxe de Natal; e para me conectar à Internet com velocidade tenho que sair do chalé e ir até a área comum da pousada, onde tem wireless. No chalé, meu modem 3G da Claro só tem meio G e eu não consigo me conectar com velocidade suficiente pra ficar de conversê no twitter, no MSN e no Facebook.

Então, fica mais fácil de cumprir o meu propósito aqui que é “escrever um livro”, denominação vaga para uma tarefa que inclui inventar e encadear histórias para acomodar os personagens que criei e que se movimentam a esmo na região do Cariri Paraibano – lugar onde vai se passar a narrativa.

Construo minhas histórias como uma aventura de RPG: invento um Universo, onde vai se passar a ação; depois invento os personagens. Aí, fica faltando a história, o enredo, os acontecimentos, que terminam sendo criados pelas relações que esses seres imaginários estabelecem uns com os outros, muitas vezes surpreendendo até mesmo a mim porque, quando a gente começa a escrever, a história começa a correr um pouquinho à nossa frente, e nos leva a lugares ou situações não previstos antes.

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-

O lugar onde estou é um conjunto de chalés em meio a uma vegetação característica da Mata Atlântica embora sem grandes árvores. São chalés adoráveis, cercados por árvores pequenas e arbustos, com tudo que uma pessoa pode querer para ficar confortável e se sentir bem e segura.

Muita gente quer saber “com quem eu vim”: pois não vim com ninguém. Vim sozinha. Já deixei de fazer muita coisa na minha vida porque não tinha companhia. Agora, faço sozinha mesmo. Gosto de ficar só, de fazer meus próprios horários e, finalmente, com a Internet e todas as suas ferramentas de comunicação, só fica sozinho quem quer, não é, minha gente? Agora mesmo não estamos eu e você juntos, através deste texto? Pois é.

Finalmente, se rolar solidão, é só caminhar 15 minutos a pé para chegar até a rua principal da Pipa, e lá eu garanto que acontece de um tudo…

E veja só a cama em que estou dormindo. Ahhhhhhh…

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Comportamento, Cultura, Viagens e turismo
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chalés em Pipa, escrever, escritor, Pipa, Praia da Pipa
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Descansar carregando pedras

Clotilde Tavares | 5 de janeiro de 2011

Daqui a pouco estarei indo para um paraíso a 90 km de Natal, a Praia da Pipa, onde supostamente vou descansar, variar da rotina e escrever um livro.

Não sei se vou conseguir, em uma semana, fazer tudo isso aí que me propus. Mas não custa nada tentar.

A Praia da Pipa é um destino turístico muito charmoso e elegante, recebe gente do mundo inteiro e eu, que conheci a Pipa quando era apenas uma aldeia de pesca, vou agora ver bem de perto o que o turismo fez com ela.

Além disso, se eu conseguir pelo menos esboçar o texto no qual transitam os personagens de quem falei no post anterior, pode ser que essas criaturas se acalmem e me deixem em paz.

Darei notícias.

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Viagens e turismo
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Pipa, Praia da Pipa
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Eles não deixam

Clotilde Tavares | 4 de janeiro de 2011

Falta sossego pra escrever.

Falta sossego para sentar em frente ao teclado, focar o juízo e desenvolver uma ideia ou um raciocínio, defender um ponto de vista, inventar uma crônica sobre o nada e sobre coisa nenhuma.

Isso acontece quando há dentro de mim uma história querendo sair, um livro novo se gestando, com os personagens andando aleatoriamente por dentro da minha cabeça ou criando vida e me aparecendo pelos cantos mais inusitados da casa, mas ainda sem se entenderem uns com os outros ou saberem o que vão fazer.

Uma multidão de gente diferente, cada um com sua história, sua cara e seus objetivos, alguns sem objetivo algum, mas todos eles barulhentos, incomodativos, reclamadores de atenção, que é assim que são os personagens quando são inventados, antes que a gente – a gente que escreve – submeta eles à constrição e à disciplina do texto.

Por isso fica difícil escrever sobre outra coisa.

Eles não deixam.

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Comportamento
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escrever, escritor, vida de escritor
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Ainda falta muito

Clotilde Tavares | 1 de janeiro de 2011

Marcela Temer tem 27 anos e é 42 anos mais jovem do que o marido, o vice-presidente Michel Temer, que tem 69 anos. O casal tem um filhinho de dois anos e são casados há sete anos.

Quando a jovem apareceu ao lado do marido, na cerimônia de posse, roubou a cena. Linda, alta, elegante, vestida com classe e distinção, penteada com longa trança – está na última moda! – o twitter pipocou em mensagens, levando o seu nome para os TTs.

Fiquei me perguntando: – E se fosse o contrário?

Se a presidente Dilma, que é divorciada, tivesse se casado há alguns anos com um rapaz, não digo nem 42 anos mais jovem, mas, digamos assim, de 40 anos de idade? Mais novo do que ela 23 anos? Sendo ele também alto, bem-feito de corpo, louro e lindo?

Eu nem tento responder.

Mas afirmo: neste nosso país, uma mulher pode sim chegar à Presidência da República. O que ainda não pode, pelo menos impunemente, é fazer como o fez o Vice-Presidente Temer: escolher como companheiro e consorte alguém bem mais jovem do que ela.

Ainda falta muito para os chamados direitos iguais entre os sexos.

UPDATE: Se o seu comentário é ofensivo às pessoas citadas acima, nem se dê ao trabalho de enviá-lo. É política do blog não publicar ofensas a quem quer que seja, pois a blogueira, dando espaço para tal, torna-se co-responsável.
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Dilma Roussef, direitos da mulher, esposa de Temer, igualdade entre os sexos, Marcela Temer
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Um olhar de Esperança

Clotilde Tavares | 1 de janeiro de 2011

Eu não votei na Dilma.

Aliás, não votei em ninguém. Há muitos anos que não consigo acreditar ou simpatizar com nenhum candidato o bastante para entregar-lhe meu voto, que valorizo muito.

Mas hoje, assistindo à posse pela TV, , simpatizei com a danada da mulher, se é que eu posso me referir assim à Presidente da República. Desde a campanha política que via a Dilma na TV e ela não me causava aquele asco e repulsa que a maioria dos políticos me causa. Aí chegou o dia do resultado das urnas e eu fiquei assim achando que foi melhor do que se tivesse sido vitorioso o outro candidato.

E quer saber, meu caro leitor? Ultimamente eu ando com vontade de ter esperança e acreditar em alguma coisa nesse campo da política. Então, por que não acreditar na Dilma? Por que não dar a ela esse voto de confiança? Nascemos no mesmo dia, 14 de dezembro de 1947, e eu penso que uma mulher nascida no mesmo dia que eu deve estar também sob a mesma configuração planetária que eu, então, por que não apostar nisso? (Bem, eu não acredito em Astrologia, mas, quem sabe?)

Gostei do discurso da posse, gostei da postura sóbria e discreta, gostei do que falou sobre as suas propostas na área da Cultura, sobre o Meio Ambiente, sobre os professores como Autoridades na área da Educação (sou professora) e sobre as mulheres.

Daqui, Presidente Dilma, ficarei de olho. Em lugar de olhar com má-vontade, com desconfiança e pé-atrás, vou lançar sobre a sua atuação, a partir de hoje, um olhar desarmado e esperançoso, mas vigilante.

Afinal, Erenice Guerra também estava presente à festa da posse.

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O ano do Imperador

Clotilde Tavares | 1 de janeiro de 2011

É Ano Novo, e todo mundoestá aí a fazer lista dos melhores isso, dos melhores aquilo.
Eu não tenho muita paciência para isso, mas publiquei no twitter, e publico de novo aqui minhas resoluções para 2011, que são apenas quatro, uma vez que se diz que este ano é dedicado ao Arcano 4 do Tarô, o Imperador – diz-se isso porque a soma dos algarismos do ano é 4.
Então, a quem interessar possa, comunico que em 2011 vou:
1) FAZER ARTE
Fazer Arte porque é a Arte que dá sentido à vida, e que nos conecta com o Mistério. Minhas Artes são a Literatura e o Teatro, e neste ano vou me deciar bastante a elas, principalmente aos meus livros e escritos.
2) FAZER BONITO
Fazer Bonito é fazer tudo da melhor maneira possível, não importa quanto trabalho dê.
3) FAZER NADA
Fazer Nada é me dar o direito de descansar, de me balançar numa rede, de olhar as nuvenzinhas correrem no céu ou me estirar na frente da TV vendo filmes dos quais vou me esquecer em seguida. Vadiar, não levar as coisas muito a sério, deixar a mente soltar-se e ir não sei pra onde, e dormir quando tiver vontade.
4) FAZER TUDO
Fazer Tudo é viver cada minuto da forma como ele vier, ser intensa, ter responsabilidade, justiça, esperança e alegria, sempre sempre sempre. Fazer Tudo é aproveitar a Vida minuto por minuto, essa Vida Rapadura, doce e dura, mais doce do que dura, porque meus dentes são fortes e porque aprendi o poder do doce. Fazer Tudo é Viver.
Feliz Ano Novo.
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Nem sempre é como a gente quer

Clotilde Tavares | 18 de outubro de 2010

Como a vida nem sempre é como a gente quer, eu nunca mais tive tempo ou disposição para escrever.

Então, para que não me esqueça, distraia-se com o link abaixo, de um post antiguinho deste blog.

https://umaseoutras.com.br/facilitando-a-vida/

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“O Estado são eles”

Clotilde Tavares | 3 de outubro de 2010

O memorialista Sandro Fortunato, inventor e mantenedor do site Memória Viva vem colocando no ar exemplares antigos da revista O Cruzeiro.

Recordação viva de uma época, é lá que eu mato as saudades da adolescência e vez por outra sou instigada por um bom texto como esse, da imortal Rachel de Queiroz, sobre os privilégios que os homens – e mulheres – ditos públicos se dão quando no exercício da coisa pública. O texto foi publicado em 12 de setembro de 1959. Nem vou comentar. Vou só reproduzir alguns trechos, para sua reflexão. Então, é ler e pensar sobre.

Diz Rachel:

“ (…) Lembrou-me a minha velha mestra de música, Dona Elvira Pinho, abolicionista e republicana histórica, mulher de rígida virtude particular e cívica. Uma de suas alunas era filha do governador e vinha para as aulas no carro oficial. E D. Elvira interpelava a garota, em plena classe: “Como vai o nosso automóvel? Você tem agradecido aqui às meninas o empréstimo do carro para você passear? Sim, porque tanto o automóvel como o motorista, a gasolina, tudo é nosso – nós que pagamos!”

“A menina ficava encabulada ou furiosa, não sei, e Dona Elvira, abandonando a teoria musical, dava um aula de boa ética republicana. Que tudo pertence ao povo, pois quem paga é o povo. Os governantes que gastam consigo o dinheiro dos contribuintes estão usurpando essas regalias – aliás, a própria palavra está dizendo: regalia – privilégio do rei! República não tem rei, e, assim, os governantes republicanos não deviam ter palácios para as suas famílias nem carros oficiais para passear os meninos, nem comida e luxo à custa do povo.

(…) “Até a ditadura ainda havia um certo pudor. Talvez porque ainda restassem vivos muitos republicanos da cepa de D. Elvira. Com o Estado Novo, todo o mundo amordaçado, sem ninguém para estrilar, o hábito da regalia se universalizou. Os homens públicos deixaram de separar o que era do Estado e o que era deles, ou antes, o uso e abuso dos bens públicos passou a ser privilégio dos cargos e, por extensão natural, da parentela dos cargos. Ninguém se lembra mais da origem do dinheiro com que se custeia o luxo dos poderosos – aqueles ínfimos impostos que o pobre mais pobre tem que pagar: o cruzeiro a mais no preço do feijão, da farinha, do metro de pano, a licença para vender um pé de alface ou um chapéu de palha.

“Talvez se esses aproveitadores da riqueza pública – e entre eles haverá muitos homens honestos – se detivessem um instante a pensar de que pobreza, de que miséria, provém aquela riqueza, que não foi para tal fim que a arrancaram ao triste contribuinte; que aquele automóvel do seu uso talvez custe dez leitos que faltam num hospital; que aquele passeio de avião talvez represente mais cem analfabetos; que aquela comissão no estrangeiro valha por alguns quilômetros de estrada; que aquele piquenique oficial em Brasília talvez esteja custando o DDT que iria acabar a malária numa região inteira ou o barbeiro – em outra; se eles pensassem, talvez recuassem envergonhados, e devolvessem o seu a seu dono.

“Mas eles não se lembram. Vêem apenas o dinheiro fácil, abundante, bom de gastar. Dizem que se um não gastar, outro gasta. E, acima de tudo, convencem-se de que eles próprios e os seus é que representam o Estado, e que emprego da fazenda pública em regalias pessoais para os que encarnam o Estado, é tão legítimo quanto os gastos em ordenados de professoras, em remédios para os ambulatórios.”

(…) “Quando se funda uma nação, o povo promete obedecer aos seus chefes escolhidos e pagar uma percentagem determinada sobre tudo que produzir, para o sustento da indispensável máquina de direção e defesa nacional. Os líderes, por sua vez, juram não ser mais que fiéis servidores do povo que os emprega. Mas parecem que juram à falsa fé. Porque, mal se apanham com a máquina nas mãos, esquecem de quem é o dono e de quem é apenas o gerente. Transferem para a sua pessoa, a grandeza que só era do cargo. Querem palácios condignos, carruagens condignas, tratamento condigno, privilégios condignos.”

(…) “E nessa preocupação de se regalarem a si, acabam esquecendo para que subiram tão alto, e se convencem de que o povo existe apenas para sustentar o Governo, e não o Governo para servir o povo.”

As palavras de Rachel de Queiroz são sábias, fundadoras, tão atuais que parecem ter sido escritas hoje. E são também uma boa lembrança para todos nós, que acabamos de eleger nossos governantes.

Leia aqui a crônica inteira.

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corrupção, O Cruzeiro, Rachel de Queiroz, uso da coisa pública
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Para você, que vota

Clotilde Tavares | 2 de outubro de 2010

Você, caro leitor, que vota e que acredita na democracia, acorde neste domingo certo de que vai exercer um dos direitos mais importantes da sua cidadania. Nas democracias, o voto tem peso igual para todos os cidadãos, e tanto faz ser um pedreiro como um dono de banco, tanto faz ser uma empregada doméstica como uma dondoca ataviada em griffes caríssimas. O voto vale a mesma coisa para todos e, pelo menos nessa hora, todos nós somos realmente iguais perante a lei.

Durante todo o período de campanha eleitoral você conheceu os candidatos e, a acreditar nas pesquisas, já deve ter se decidido. De qualquer maneira, é bom você se lembrar de que o voto é uma procuração que você passa para alguém decidir no seu lugar.

Imagine que você vai viajar, vai passar quatro anos fora, e que durante esse tempo você não vai poder decidir sobre questões que são muito importantes para você, como a condução dos seus negócios, a educação dos seus filhos e a saúde da sua família. Então você vai escolher uma pessoa, que deve ser alguém muito decente, muito amigo e absolutamente confiável para resolver todos esses problemas e tomar todas essas decisões enquanto você está fora.

Esse alguém deve ser uma pessoa cujos ideais, crenças e valores sejam semelhantes aos seus. Deve ser uma pessoa que pense como você, cuja alma tenha sintonia com a sua, e que diante de um imprevisto, ou de uma situação fora do comum, faça o que você faria naquela emergência. Se não for assim, se você não tiver essa confiança, você não passa a procuração porque não tem a certeza de que a tal pessoa vai tomar as atitudes corretas quando necessário.

Pois o voto é a mesma coisa. Durante um certo período de tempo, aquela pessoa em quem você votou tem uma procuração passada por você para tomar conta da cidade ou para propor medidas de melhoria de vida que vão atingir diretamente você e sua família.

Somente com base na confiança do eleitor no seu candidato é que essa escolha deve ser feita. O mínimo que o candidato, uma vez eleito, pode fazer, é mostrar-se digno dessa confiança, já que ele foi nomeado por você seu “bastante procurador”, como se diz nos documentos oficiais.

Então, boa sorte e boas urnas, para você e para todos nós.

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